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Um lar longe de casa

Acessível, despretensiosa, acolhedora.
Descobri a Figueira da Foz pela primeira vez enquanto procurava um novo local para viver. As rendas estavam a subir nas grandes cidades como Lisboa, Porto e até Coimbra, e começou assim a procura por uma cidade acessível, com infraestruturas, comodidades, transportes, hospitais, restaurantes e destinos para escapadelas de um dia. A minha procura acabou por me levar à Figueira da Foz, a Rainha das praias de Portugal.
Primeiras impressões.
Ao sair do autocarro vindo de Lisboa, senti-me como se estivesse a entrar num quadro animado e cheio de atmosfera, moderno, mas repleto de história. A caminhada desde a estação rodoviária e ferroviária em direção à Foz do Mondego, a foz do rio Mondego, levou-me a passear ao longo da marina fluvial: à minha esquerda, o belo e hipnotizante Mondego, um dos grandes rios de Portugal, e à minha direita, o coração histórico, cultural e comercial da Figueira da Foz.
Um lar longe de casa.
O passeio ao longo da marina ribeirinha e da praia despertou-me nostalgia e memórias felizes de outro lugar distante, tanto em termos de distância como de tempo: o Kuwait e a Jordânia, onde cresci. Enquanto me deixava envolver pela imagem de pessoas a desfrutar da companhia umas das outras à volta de um café e de pastéis, com a brisa suave a transportar um murmúrio ténue, mas reconfortante, de conversas intercaladas por risos, pude sentir o aroma apaziguante e familiar das figueiras que preenchia as minhas memórias, e as crianças a brincar na praia, tudo isto tendo como pano de fundo monumentos históricos e a paisagem e arquitetura típicas do centro de Portugal. Percebi que a nostalgia que sentia era pelo conforto de uma sociedade solidária, na qual pudesse viver e crescer, tanto quanto ela pudesse crescer comigo. E encontrei-a. Aqui, na foz do Mondego, entre as alturas protetoras do Cabo Mondego e os exuberantes arrozais, as salinas e as praias intocadas de Lavos.
Calmante, reconfortante, arejado, belo.
Levarei sempre comigo a memória, as imagens, os sons, os cheiros das palmeiras a balançar com a brisa, dos céus azuis, ensolarados e límpidos, e de um brilho radiante, luminoso e quente que se reflete nas belas calcadas tradicionais — aquelas pequenas pedras brilhantes de mosaico que adornam todos os pavimentos de Portugal —, do mar, por vezes tempestuoso, na maioria das vezes calmo, a jorrar com o arrulho tranquilizante das ondas a rebentar e o canto cativante das gaivotas, e do repicar dos sinos das igrejas a ecoar no ar húmido.
A Figueira da Foz será sempre, verdadeiramente, o meu lar longe de casa.

